" Estão numa praia, sentados sobre uma manta. É um dia frio e nublado, mas ali, ao de Tariq sob o cobertor que lhes cobria os ombros, sentia-se aquecida. Via carros estacionados por trás de uma cerquinha de madeira branca, sob um renque de palmeiras que balançavam ao vento. O vento deixava seus olhos lacrimejando, enterrava seus sapatos na areia, arrancava tufos de capim ressecado das fendas que se formavam entre as dunas. As gaivotas gritavam e estremeciam em meio àquele vento. Mais uma nuvem de areia se ergueu daquelas dunas suaves e batidas pelo vento. Ouve-se, então, um ruído que parece um canto, e ela lhe conta algo que babi lhe ensinou anos atrás, sobre a areia que canta.
Ele esfrega a testa para tirar a areia. Ela percebe o brilho da aliança em seu dedo. É idêntica à sua própria - de ouro, com um desenho que mais parece um labirinto gravado em todo o aro.
"É verdade", dia ela. "É a fricção de um grão no outro. Ouça só." E ele pára para ouvir. Franze a testa. Ambos ficam esperando. Voltam então a ouvir aquele som. Quase um múmurio, quando o vento está mais branco, e, quando há uma rajada mais forte, um coro choroso e agudo."
Tirado do livro: A cidade do sol; Autor Khaled Hosseini
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
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